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J.D.R.'s Short Stories on Music and Music Personalities



 

  - A OBRA DE MOACIR SANTOS E A REAÇÃO DE UM CRÍTICO XENÓFOBO -


O maestro Moacir Santos foi um dos maiores compositores e arranjadores brasileiros de todos os tempos. Suas composições refletiram sua originalidade, revolucionando nossa música em termos melódico-harmônico-rítmicos, obra de um talento incomensurável que idealizou essa perfeita amálgama musical afro-brasileira.
Desiludido com a reduzida aceitação de sua música por parte da imprensa e do público, em 1967 ele foi tentar a sorte nos Estados Unidos, onde seu talento foi reconhecido imediatamente, gravando alguns discos em seu nome e também compondo e arranjando para os estúdios americanos..
 
Entretanto, como ocorre com muitos artistas, sua obra imorredoura foi reconhecida no Brasil três décadas depois. O violonista Mario Adnet e o saxofonista Zé Nogueira debruçaram-se no legado imortal de Moacir Santos, criando a Orquestra Ouro Negro para tocar suas composições, desencadeando um verdadeiro revival que culminou com a gravação de três magníficos CDs.
Deve-se exaltar o entusiástico trabalho de Mario Adnet e do saxofonista Zé Nogueira à frente da Orquestra Ouro Negro para manter viva a obra monumental do maestro. Esse esforço e tenacidade da dupla abriu as portas para as novas gerações conhecerem sua obra, bem como atrair a atenção da imprensa e do público em geral. .

A convite de Mario Adnet e Zé Nogueira, Moacir Santos esteve três vezes no Brasil, quando ouviu emocionado a Orquestra Ouro Negro interpretar sua obra. O maestro faleceu em 6 de junho de 2006, em Pasadena, Califórnia, onde vivia com sua família. 
 
Realizou-se na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, em 21 de novembro de 2006, uma homenagem póstuma a Moacir Santos premiando o conjunto da sua obra, com as presenças de sua esposa e seu filho. A Orquestra Ouro Negro abrilhantou a cerimônia tocando as composições do saudoso maestro.  o público.

Acompanhei a carreira de Moacir Santos desde sua chegada ao Rio há "alguns séculos". Bonachão e sempre bem-humorado, tudo estava bem para ele. Várias vezes ele tocou sax-tenor nas jam sessions que organizei juntamente com alguns amigos jazzófilos. Bons tempos em que as jams sessions
eram freqüentes e apareciam dezenas de músicos sedentos para tocar jazz.

Aproveito para relatar um fato pitoresco da minha vida jornalística - no mínimo insólito - ligado ao saudoso maestro. Há anos escrevi no Jornal do Brasil uma resenha altamente favorável sobre o seu clássico disco "Coisas", lançado pelo selo Forma. Dias depois, eu e Moacir fomos acusados pelo xenófobo crítico José Ramos Tinhorão, nas páginas do mesmo jornal, de "traidores da música brasileira vendidos ao imperialismo americano". Chega a ser cômico de tão ridículo, não acham ? Até que seria uma boa caso o governo americano me destinasse uns trocados cada vez que escrevi sobre jazz – juro que teria ficado rico, pois foram milhares de vezes!

Perguntar não ofende: será que o governo brasileiro pagava ao trêfego crítico para defender a música popular brasileira contra "jornalistas vendidos ao imperialismo americano"?



- WOODY ALLEN E SUA PAIXÃO PELO JAZZ -

Um astro do cinema que toca um instrumento sempre desperta a atenção do público, e quando ele toca jazz aguça a curiosidade geral, especialmente dos jazzófilos. .
Alguns atores do cinema chamaram a atenção por essa atividade musical extra, um hobby que cultivam ou cultivaram através dos tempos. O mais famoso é o ator, produtor e diretor Woody Allen, um fanático por jazz que sempre incluiu temas de jazz e canções standards americanas nas trilhas dos seus filmes.
Talvez poucos saibam que Woody Allen aprendeu clarinete aos 16 anos e desde então cultivou seu gosto pelo jazz tradicional, ou seja, o estilo New Orleans, também conhecido como dixieland. No final dos anos 80 e início dos 90 ele se apresentou todas as segundas-feiras no
extinto clube Michael's Pub, na Rua 55, em New York. Sua presença semanal naquele spot colocou o Michael's Pub no mapa da cidade, atraindo multidões que formavam extensas filas para ouvi-lo tocar.  Além de Woody, outros atores do cinema que tocam ou tocavam jazz são
Clint Eastwood (pianista que gravou "C.E. Blues" no CD "Eastwood After Hours Live at the Carnegie Hall"), Jack Lemmon (pianista que tocou e cantou num ótimo CD ao vivo para o selo Laserlight), o comediante Rudy Vallee (saxofonista que foi a primeira influência de Charlie Parker), o comediante Jimmy Durante (pianista que em 1918 liderou um pequeno
conjunto), Conrad Janis (trombonista que dava canjas nas jam sessions do clube Jimmy Rian's, de New York), Mickey Rooney (que tocou piano com a orquestra de Tommy Dorsey num dos antigos filmes musicais), Jackie Cooper (baterista nas noitadas informais do Lighthouse Café, de Los Angeles), Steve Allen (pianista que gravou vários discos), Beau
Bridges (pianista) e o brasileiro Cyl Farney (baterista que dava canjas nas jam sessions dos anos 40 e 50 no Rio).

Woody Allen gravou dois discos mostrando suas aptidões no clarinete acompanhado pela banda do banjoista Eddy Davis. O primeiro, "The Bunk Propject", em 1993, e o segundo, "Wild Man Blues", em 1998, este editado no Brasil pela BMG. Considerando sua condição de amador, Woody é um bom clarinetista, conhece seu instrumento e sua função na
linha-de-frente de um grupo do estilo New Orleans.

Em "Wild Man Blues" ele toca com Eddy Davis (banjo) e Greg Cohen (baixo), em oito faixas, e nas sete restantes com a banda completa de Davis; estas últimas ilustram os típicos uníssonos dos conjuntos dixieland e a função do clarinete entre os instrumentos de sopro.
Woody projeta seu feeling, seu entusiasmo nos andamentos rápidos e sua preferência pelo registro grave do instrumento. Certamente ele exagera um pouco nos vibratos e nas notas em staccato, mas  absolutamente não deslustram seus solos. O repertório inclui alguns clássicos do jazz tradicional, entre os quais "Dippermouth Blues", "In the Evening" e "Hear Me Talkin' to Ya", além do perene "After You've Gone".  "Wild Man Blues" não figura na seleta discografia do jazz, mas desperta interesse pela presença do polivalente Woody Allen, cujo
hobby é outro dos seus múltiplos talentos.

 
 - CHARLIE BARNET, O ARQUIMILIONÁRIO -

 
O saxofonista e band-leader Charlie Barnet foi uma ave rara no mundo do jazz. Descendente de uma família de bilionários, que planejavam para ele uma carreira de alto executivo na organização presidida pelo pai, que era o "Rei do Açúcar" nos Estados Unidos, tornou-se uma espécie de ovelha negra ao contrariar a vontade de seus pais, que não contavam com o "desvio" do jovem Charlie ao ser inoculado pelo micróbio do jazz ainda garoto, tornando-se um fanático fã de Duke Ellington. Cada vez mais empolgado, aos 16 anos Charlie tocava saxes tenor e soprano, decidindo mais tarde formar sua orquestra. Como dinheiro não era problema, aos 26 (?) anos organizou sua primeira orquestra, emplacando um grande sucesso ao gravar o clássico "Cherokee", que foi seu prefixo musical. .
Jovem, alto, educado, simpático, amável, sorridente e herdeiro de fortuna incalculável, ele despertava a cobiça das moças casadoiras e suas respectivas mães, que incitavam as filhas a tentar conquistá-lo. O assédio era intenso e implacável. Paralelamente,.esse assédio favorecia seus desejos, tornando-se um conquistador voraz. Com seu charme e sua fortuna, dava-se ao luxo de abordar quantas moças quisesse, pois candidatas nunca faltaram. Com essa facilidade, perdeu a conta de quantas namorou. No reverso da medalha, ele caiu no laço de algumas delas, apaixonando-se e casando. No total, foram 13 casamentos e 22 filhos! Desnecessário acrescentar que, com tantos casamentos e sucessivos divórcios, suas pensões alimentícias eram verdadeiras fortunas, que, entretanto, jamais abalaram suas inesgotáveis finanças. 
Na carreira de músico, sua orquestra fazia enorme sucesso e ele pagava a seus músicos os maiores salários do mercado. Isso aguçava o desejo da maioria em tocar na sua orquestra, originando casos engraçados e anedotas – que serão registrados numa próxima ocasião.
Para dar uma idéia do poder econômico de Charlie Barnet, relato um episódio ocorrido no final de 1964, quando ele gozava sua lua-de-mel com a 11ª esposa, uma lindíssima morena chamada Betty. O casal usufruía dessa viagem de núpcias cruzando o Pacífico no iate de 250 mil dólares que Barnet mandara construir especialmente para esse cruzeiro.
Durante esses dias, ele teve a idéia de organizar uma grande festa quando regressassem.  Colocando mãos à obra, ainda no iate, Barnet telefonou para o San Jacinto Country Club, em Palm Springs, reservando-o para uma festa com 100 convidados. Marcada a data, telefonou para Duke Ellington contratando-o por 10.000 dólares para tocar com sua orquestra.    
O evento foi um sucesso estrondoso. O luxo, o esplendor e a fartura imperaram com bebidas de todo tipo, ampla variedade de caviar, canapés, salgadinhos, refrigerantes, doces, sorvetes, chocolates e inúmeras guloseimas. Entre os convidados estavam presentes   músicos (trompetistas Billy May e Bobby Burnet, trombonista Juan Tizol, cantor Nat King Cole, maestro e pianista Stan Kenton e baterista Ben Pollack, entre outros), o crítico Leonard Feather e o empresário Carlos Gastel. A orquestra de Ellington encantou os convidados com sua música imortal, homenageando o anfitrião no encerramento da festa com um arranjo especial de "Cherokee" – e poderia ser outra ? Foi verdadeiramente uma festa de arromba que começou às 22 horas e terminou por volta das cinco da matina. Em se tratando de um arquimilionário, não poderia ser diferente.



- ORIGEM E PREMIÈRE DA CÉLEBRE "RHAPSODY IN BLUE" -


Uma das mais famosas obras de George Gershwin é "Rhapsody in Blue", que projetou ainda mais seu nome pela beleza da sua melodia inconfundível de majestosa grandiosidade. Sua première aconteceu em 12 de fevereiro de 1924, no Aeolian Hall, em New York. O maestro Paul Whiteman comissionou Gershwin para compor uma obra sinfônica com elementos de jazz. Tudo indicava que a empreitada seria um sucesso, pois nada mais natural unir Whiteman, maestro de orquestra mais popular da época, a Gershwin, autor de notáveis scores para grandes musicais da Broadway.
 Gershwin começou a burilar exaustivamente a peça,  dando maior ênfase à segunda parte ou elaborando o final apoteótico para resultar num tratamento sinfônico imponente que marcasse a obra como uma das grandes realizações musicais do século 20. Após três árduas semanas de trabalho, Gershwin levou a partitura de piano para Whiteman, que encarregou o arranjador Ferde Grofé, autor da famosa "Grand Canyon Suite", para dar à obra o tratamento refinado que desejava. 
Após exaustivos ensaios, chegou a aguardada noite de estréia. A publicidade anunciava pomposamente o concerto como uma "Experiência de Música Moderna". O evento foi um sucesso, causando forte impacto no público, nos músicos e na crítica. Com o próprio Gershwin ao piano como solista, a interpretação de "Rhapsody in Blue" encantou a platéia, que acompanhou entusiasticamente seus diversos movimentos. 
A partir desse dia, Gershwin ganhou maior dimensão pela capacidade de criar obras extensas de conteúdo importante. Foi sua consagração definitiva.
Alguns críticos referiram-se a ele como compositor de jazz, influenciados pelo fato de Whiteman anunciar "Rhapsody in Blue" como "obra de jazz sinfônico". Outros afirmaram tratar-se de "obra sinfônica séria de música tipicamente americana". A relação de Gershwin com o jazz foi tênue e efêmera, apenas evidente na parte do "Blues" de "An American in Paris". Suas composições tornaram-se parte do repertório jazzístico devido às suas melodias e harmonias serem favoráveis à improvisação, mas pertencem estritamente ao terreno da canção popular americana. Gershwin compôs dezenas de músicas que se tornaram populares em todo o mundo. Outra das suas criações imortais foi a ópera "Porgy and Bess", que se tornou conhecida em todo o mundo.
Depois de "Rhapsody in Blue", a fértil inventiva de Gershwin gerou outras três composições extensas de grande porte: "Concerto for Piano", Concerto in F" (considerada por alguns musicólogos superior a "Rhapsody in Blue") e "An American in Paris", que são parte integrante da eternidade artística do autor.
"Rhapsody in Blue" ocupa um lugar de honra no panteão do legado imortal de Greshwin, é atemporal, inscrevendo-se entre suas obras mais populares. Suas gravações multiplicaram-se, de Paul Whiteman a Duke Ellington, da Orquestra Boston Pops a Glenn Miller, da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, a Enrico Rava, de André Kostelanetz a Spike Jones. – a lista é virtualmente interminável. É importante observar que, em qualquer gravação dessa obra, a introdução originalmente criada para clarinete que identifica sua melodia é parte indissolúvel da cultura musical dos nossos dias e, certamente, será nos tempos futuros.



    - HUMOR NO JAZZ –


José Domingos Raffaelli

Os músicos de jazz sempre foram fontes inesgotáveis de histórias curiosas, anedotas e "causos" hilariantes. Há milhares de histórias verdadeiras que são tão engraçadas como qualquer anedota, valendo a pena contá-las.

O saxofonista Paul Gonsalves, um dos principais solistas da orquestra de Duke Ellington, bebia bastante e vivia em permanente estado etílico. Durante um concerto, adormeceu em pleno palco. A orquestra continuou tocando, mas nada perturbava Gonsalves, que dormia a sono solto. Durante uma música, enquanto o trompetista Willie Cook tocava seu solo no microfone à frente da orquestra, chegava a vez de Gonsalves. Preocupado, o trombonista Buster Cooper acordou-o para que fosse à frente. Completamente tonto, Gonsalves foi trocando pernas em direção ao microfone. Nesse exato momento Cook terminou seu solo e o público aplaudiu demoradamente. Gonsalves deu meia volta e sentou-se na sua cadeira sem ter soprado uma única nota. Sorridente, voltou-se para Cooper e disse: "Viu como gostaram do meu solo? Ainda estão me aplaudindo".
Dizem que Ellington, no alto da sua austeridade, quase teve um troço....

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Outro que bebia muito era o saxofonista Ben Webster. Abusava tanto da bebida que nunca se recordava de nada. Certa noite, totalmente embriagado, Webster tocava no clube Ronnie Scott´s, em Londres, quando avistou o cantor Billy Eckstine. Atirou-se com tanto ímpeto ao velho amigo que ambos rolaram no chão. Levantaram-se, abraçaram-se e passaram o resto da noite conversando e bebendo. No dia seguinte, ao chegar sóbrio no clube, fato muito raro, o proprietário Ronnie Scott dirigiu-se a ele:
Scott: - Você e Billy conversaram um bocado ontem à noite, não?
Webster: - Eu e quem ?
Scott: - Você e Billy Eckstine. Pelo papo que tiveram, esgotaram todos os assuntos.
Webster: - Homem, você andou bebendo ? Não vejo Billy Eckstine há uns oito anos.

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O baterista Buddy Rich internara-se num hospital para ser operado. Na véspera, a enfermeira-chefe entrou em seu quarto para preencher o questionário de praxe. Depois de perguntar e anotar seu nome, idade, profissão e endereço, indagou se era alérgico a alguma coisa, ao que Rich respondeu prontamente:
- Música country.

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Certa noite o trombonista Tommy Dorsey foi ouvir o octeto do clarinetista Joe Marsala, do qual diziam maravilhas. Terminada a apresentação, empolgado pelo que ouviu Dorsey contratou no ato sete músicos da banda de Marsala, deixando o clarinetista a ver navios.
Dias depois, a renovada orquestra de Dorsey apresentou-se num clube e Marsala enviou-lhe um telegrama com estes dizeres:
- Tommy, que tal me contratar para sua banda assim poderei tocar com a minha ?

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O baterista Art Blakey era um inveterado conquistador. Não podia ver uma mulher bonita e logo a assediava. Uma noite, uma linda moça solicitou seu autógrafo no camarim do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, depois de uma apresentação do seu conjunto Jazz Messengers, em 1977. Enquanto atendia ao pedido, Blakey não perdeu tempo para fazer-lhe uma proposta indecorosa. A moça recusou ofendida:
- O que é isso ? Sou uma mulher casada!
Blakey: - Querida, você não precisa dizer nada a seu marido.

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O quinteto do contrabaixista Oscar Pettiford foi contratado para tocar  num pequeno clube (do tipo que aqui chamamos de inferninho) no bairro Greenwich Village, em New York. Ao chegarem, não havia luz no clube, que estava em total escuridão. Guiados pela lanterna do um garçom, os músicos dirigiram-se ao minúsculo palco. Abrindo a tampa do piano, o pianista Dick Katz constatou horrorizado que faltavam várias teclas no teclado do instrumento. Imediatamente, disse a Pettiford que não poderia tocar, ao que o baixista replicou que tocasse assim mesmo, pois não havia como  conseguir outro piano.
Pettiford e seus músicos tocaram dois sets num total de quase três horas, e Dick Katz dedilhou seu instrumento como podia, sem conseguir qualquer resultado satisfatório. Terminada a noite, Pettiford foi receber o cachê do dono do clube, que lhe disse:
-  Seu conjunto é muito bom, mas despeça o pianista porque ele é muito ruim.

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 Em meados dos anos 50, quando o rock tomara conta da juventude mundial qual um tsunami, os músicos e compositores do estilo eram incensados pelos fãs, críticos, empresários e editores musicais. Esta historinha aconteceu quando o conhecido saxofonista, compositor e arranjador de jazz Ernie Wilkins foi ao escritório da sua editora musical registrar uma nova composição.

Recebido pelo diretor, este se deleitava ouvindo um disco de rock que fazia furor na parada de sucessos, cujas músicas eram de um cliente seu. Entusiasmado, o editor disse a Wilkins:
- Não é fantástico pensar que esta canção formidável foi escrita por um garoto de apenas 13 anos?
Wlkins, que ouvira pacientemente o disco, apenas respondeu.
- Francamente, é fantástico. Eu pensei que essa música fosse de autoria de um garoto de 4 anos....

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No mesmo período o compositor e arranjador Shorty Rogers gravou uma série de discos de rock aproveitando a onda de sucesso para faturar um bom dinheiro.
- Organizei uma orquestra com os melhores músicos disponíveis e um excelente conjunto vocal, mas não foi nada fácil. O conjunto vocal era formado por ótimos cantores, mas não conseguiam reproduzir o autêntico som do rock. Foi preciso muito tempo e muitos ensaios para eles conseguirem cantar desafinados como faz o pessoal do rock.



    - JAZZ EM TEMPOS DE GUERRA (UMA HISTORINHA) - 


O conflito entre Estados Unidos e Iraque lembra-nos um episódio emocionante ocorrido no campo de batalha da Segunda Guerra Mundial, que alguns historiadores garantem ser verdadeiro. O relato que se segue é uma prova de que o jazz só faz amigos.
Americanos e alemães fizeram uma trégua entre o Natal de 1944 e o Ano Novo de 1945. No primeiro dia, alguns soldados americanos aproveitaram o cessar-fogo temporário para ouvir discos de jazz numa vitrola portátil movida por uma manivela que acionava o motor.
No dia seguinte, um soldado alemão caminhou rumo à trincheira americana empunhando uma enorme bandeira branca. Recebido inicialmente com muita desconfiança e falando inglês razoavelmente, o alemão disse que no silêncio da noite anterior ouvira o som da alguns discos de jazz que vinha da trincheira americana. Identificando-se como pianista de jazz, pediu licença para juntar-se a eles a fim de compartilhar a audição da música que ele mais amava, no que foi prontamente atendido. 
Depois das primeiras palavras, os americanos revistaram-no, certificando-se de que o propósito do alemão era realmente juntar-se a eles para ouvir jazz. Após a autorização do seu comandante para o alemão integrar-se a eles, o gelo inicial dos americanos deu lugar à cordialidade, passando o resto do dia ouvindo os V-Discs que o governo americano prensara especialmente para os soldados no campo de batalha. Fascinado, o alemão ouviu gravações que nem supunha existirem, inclusive fazendo comentários pertinentes sobre o que ouvia. No fim da tarde, ele voltou para sua trincheira, não sem antes pedir licença para retornar no dia seguinte, sendo prontamente atendido.
Nos dias subseqüentes, como velhos conhecidos, os americanos e o alemão continuaram a audição de discos e a camaradagem entre eles aumentava à medida em que a música   rolava. Aqueles dias de trégua foram abençoados, fazendo-os esquecer momentaneamente os horrores da guerra ouvindo Duke Ellington, Count Basie, Eddie Condon, Frank Sinatra, Bing Crosby, Les Brown, Teddy Wilson, Benny Goodman, Tommy Dorsey, Ella Mae Morse, Benny Carter, Joe Bushkin, Bunny Berigan, Harry James, Teddy Powell, Woody Herman, Ella Fitzgerald, Coleman Hawkins, Lester Young, Jimmy Dorsey, Perry Como, Nat King Cole e tantos outros artistas americanos. As conversas eram animadas, comentavam as músicas em seus mínimos detalhes, trocavam idéias e opiniões, brotando uma sincera amizade entre eles, protagonistas de uma guerra estúpida que o destino colocou-os como inimigos.
Essa confraternização prolongou-se por toda a trégua, terminando ao entardecer do dia de Ano Novo de 1945, porque as hostilidades recomeçariam na manhã seguinte.
Segundo os relatos, a despedida foi comovente. Todos se abraçaram formando um círculo. Chorando emocionados, despediram-se como velhos amigos, prometendo que depois da guerra se encontrariam para festejarem a paz e ouvirem muitos discos de jazz.
O relato não informou se o encontro pós-guerra foi realizado, porém deixou a certeza, mais uma vez, se ainda fosse necessário, que o jazz realmente só faz amigos.

José Domingos Raffaelli




 - HISTÓRIA DA BOSSA NOVA -

 
A música popular brasileira ganhou prestígio internacional a partir dos anos 60, quando a bossa nova foi acolhida pelos músicos de jazz americanos, tornando-se um fenômeno mundial.
 
Como todas as artes, a bossa nova tem uma pré-história cujos principais precursores, nos anos 40, foram o violonista Garoto, tocando harmonizações alteradas e dissonantes, o pianista Dick Farney e o compositor Custodio Mesquita, cujos maiores sucessos foram dois fox-trots ao melhor estilo americano (Mulher e Nada Além). Na mesma época, o conjunto vocal Os Cariocas inovou utilizando harmonizações ousadas assimiladas dos grupos vocais americanos.
 
Os anos 50 revelaram músicos e compositores influenciados por jazz que introduziram novidades melódico-harmônicas, principalmente o pioneiro pianista e compositor Johnny Alf. Suas atuações no bar do Hotel Plaza, no Rio de Janeiro, em 1953/54, atraiam a atenção dos jovens músicos e cantores que, cativados por suas inovações, iam ouvi-lo todas as noites, entre eles J oão Gilberto (cantor e violonista que foi um dos criadores da bossa nova), Candinho (violão), Luiz Bonfá (violão e compositor), Aurino Ferreira (sax), João Donato (piano, acordeão e compositor), Bebeto Castilho e Manuel Gusmão (baixo), Sylvia Telles, Claudete Soares e Alaíde Costa (cantoras), Luiz Eça (piano) e Lucio Alves (cantor).
A influência de Alf mudou os rumos da música brasileira com suas composições rebuscadas, harmonicamente ousadas e sentido melódico de beleza invulgar. Foi um passo gigantesco para a renovação da linguagem que germinou a semente da bossa nova.
Alf era o centro das atenções dos jovens. Um deles, o pianista-compositor Antonio Carlos Jobim, que seria outro grande artífice da bossa nova, fascinado pelas suas harmonizações, aprendeu com ele os segredos da sua concepção harmônica.
 
Com a gravação do clássico Rapaz de Bem, Alf apontava os rumos a seguir, sendo considerado o pai espiritual da bossa nova. Algumas das suas obras-primas, além de Rapaz de Bem, são Ilusão a Toa, Céu e Mar, Fim de Semana em Eldorado, Disa, O Que é Amar e a seminal Eu e a Brisa foram  revolucionárias bastante à frente da sua época . . .
Outra influência decisiva foi o disco Brazilliance, do violonista Laurindo Almeida e do saxofonista Bud Shank, realizando uma inédita fusão de jazz com música brasileira, causando sensação pelas audaciosas improvisações de Shank, provando ser possível improvisar sobre temas brasileiros, algo inimaginável na época . . .
O violonista e compositor Luiz Bonfá deu sua contribuição ganhando fama internacional com Manhã de Carnaval, carro-chefe da trilha do filme Orfeu do Carnaval, e Samba de Orfeu. Outras importantes obras suas são Menina Flor, Gentle Rain, Saudade Vem Correndo e Mania de Maria . . .
Nos idos de 1956/57, João Gilberto ouvia exaustivamente o disco "Chet Baker Sings". Impressionado pelo estilo coloquial de Baker, mudou radicalmente sua maneira de cantar, deixando de imitar Orlando Silva para adotar o estilo vocal de Baker, transformando-se no maior ícone da bossa nova ao lado de Antonio Carlos Jobim. Sua batida de violão originou a característica rítmica essencial da bossa nova. Mundialmente famoso, JG continua cantando com grande sucesso em todo o mundo.  
Outro notável talento foi João Donato, cujo estilo original influenciado pelo jazz é evidenciado em Minha Saudade, Silk Stop, Até Quem Sabe e A Rã, entre muitos outros. Ele radicou-se em Los Angeles em 1959, onde morou até 1973, gravando e tocando com músicos de jazz e latinos. Donato continua em franca atividade, gravando e bastante requisitado para turnês nos Estados Unidos, Europa e Japão.  
 
Historicamente coube à cantora Elizeth Cardoso gravar o primeiro disco de bossa nova em 1958: Canção do Amor Demais, com participação de João Gilberto no violão. A essa altura, começava a frutífera parceria de Antonio Carlos Jobim com o poeta Vinicius de Morais, artífice das letras de inúmeras canções conhecidas em todo o mundo.
No mesmo ano, um grupo de jovens empolgados pelas tendências da nova música reunia-se na casa da cantora Nara Leão para explorarem novo repertório. Alguns participantes desses encontros foram Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Durval Ferreira e Oscar Castro Neves., que contribuíram para o sucesso do movimento com suas letras em canções de sucesso . . .
Paralelamente, a música fervilhava nos quatro clubes do lendário Beco das Garrafas, réplica carioca da Rua 52, de New York. Todas as noites alguém trazia uma nova composição, uma nova idéia, um novo arranjo. Naqueles clubes revelaram-se Luiz Carlos Vinhas, Luiz Eça, Sérgio Mendes, Toninho Oliveira, Dom Salvador e Tenório Junior (piano); Baden Powell, Neco, Rosinha de Valença, Waltel Branco e Oscar Castro Neves (violão); Claudete Soares, Leny Andrade, Alaíde Costa e Sylvia Telles (cantoras), Raul de Souza e Edson Maciel (trombone); Sérgio Barrozo, Tião Neto e Manuel Gusmão (baixo); Jorge Ferreira da Silva, J. T. Meirelles e Aurino Ferreira (sax), Edison Machado, Victor Manga, Milton Banana e Dom Um Romão (bateria) e Maurício Einhorn (gaita). Os instrumentistas começaram a desenvolver o samba-jazz inspirados nas improvisações do disco de Laurindo Almeida e Bud Shank, despontando os pequenos conjuntos Tamba Trio, Bossa Três, Salvador Trio, Trio 3-D, Rio 65 Trio e outros . . .
 
A juventude brasileira foi arrebatada pela bossa nova com o disco Chega de Saudade, de João Gilberto, definindo as bases do novo idioma com inovações radicais na melodia, harmonia e ritmo, sendo cultuado por músicos, cantores e ouvintes . . .
Pouco a pouco, a nova música começou a ganhar fama internacional a partir de 1959, com quatro acontecimentos decisivos para seu sucesso no exterior. Primeiro, o guitarrista Charlie Byrd fez uma turnê no Brasil e, encantado com o que ouviu, gravou vários discos com músicas brasileiras. Segundo, quando vieram ao Brasil o conjunto American Jazz Festival e o quinteto do trompetista Dizzy Gillespie, em 1961; ao regressarem, Gillespie, Lalo Schifrin (piano), Zoot Sims e Coleman Hawkins (sax), Herbie Mann (flauta) e Curtis Fuller (trombone) gravaram discos de bossa nova. Terceiro, em 1962, Charlie Byrd e o saxofonista Stan Getz gravaram o LP Jazz Samba, e Desafinado tornou-se um sucesso monumental da noite para o dia em todo o mundo. Sua repercussão originou a organização de um concerto de bossa nova no Carnegie Hall com músicos brasileiros, abrindo um mercado internacional de trabalho para os artistas nacionais.  
No ano seguinte, Stan Getz gravou com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim o disco que transformou Garota de Ipanema na marca registrada de Jobim e da bossa nova, no qual Astrid Gilberto estreou como cantora. A essa altura, Jobim era o grande nome da bossa nova; mundialmente famoso, seu prestígio era cada vez maior e suas composições inspiradas eram sucessos retumbantes em quase todos os países do planeta. 
 
A bossa nova conquistou o público com suas belas melodias, harmonias sofisticadas e seu ritmo sutil e original. Entre incontáveis sucessos, ficaram para a posteridade Chega de Saudade, Desafinado, Garota de Ipanema, Samba de Uma Nota Só, Meditação, Corcovado, O Amor em Paz, Samba do Avião, Inútil Paisagem, Dindi, Triste, A Felicidade, Lígia, Vivo Sonhando, Águas de Março, Se Todos Fossem Iguais a Você, Só Danço Samba e Insensatez (Jobim); Influência do Jazz, Primavera, Minha Namorada, Maria Ninguém, Se É Tarde Me Perdoa, Lobo Bobo e Você e Eu (Carlos Lyra), Barquinho, Rio, Você e Vagamente (Roberto Menescal), Batida Diferente, Chuva e Estamos Aí (Maurício Einhorn).
Com o sucesso do rock e dos Beatles, a bossa nova deixou de ser a música da juventude brasileira, embora continuasse prestigiada no exterior até hoje.
Na geração pós-bossa nova destacaram-se Edu Lobo, Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marcos Valle, mas somente este aderiu ao estilo.    
 
Após longo período de estagnação, nas últimas duas décadas houve um renascimento da bossa nova no Brasil com shows, festivais, gravações e reedições de discos daquele período que continua sendo o mais criativo da música popular brasileira de todos os tempos.


 

- BILL CLINTON, O EX-PRESIDENTE QUE TOCA JAZZ –

 
Bill Clinton, o popular ex-presidente dos Estados Unidos, é um grande entusiasta do jazz desde a adolescência. Esse entusiasmo brotou nos tempos escolares, levando-o a estudar saxofone tenor, tocando em conjuntos das escolas e universidades que cursou, revelando bom domínio instrumental e qualidades de improvisador.
Naturalmente suas prioridades eram outras e seu projeto de vida direcionou-o para a política, mas nunca deixou de tocar sempre que teve oportunidade.
 
Durante uma entrevista com o saxofonista Joe Henderson, em 1993, ele contou-me que dias antes tocara com Clinton na Casa Branca. Indagado sobre as qualidades do presidente, Henderson respondeu com boa dose de humor:
 
- Toca muito bem, considerando que não é profissional. Mas, se fosse, certamente teria sucesso. Caso ele estivesse em meu lugar e eu ocupando o dele na Casa Branca, seria muito melhor para mim.
 
Joe Henderson não exagerou as qualidades do presidente, documentadas no CD "The Pres Blows", gravado ao vivo numa recepção que lhe foi oferecida pelo presidente da antiga Tchecoslováquia, na qual Clinton ganhou um sax-tenor de presente e tocou com músicos locais. Nessas gravações o ex-presidente toca um bom solo em "Summertime".
 
Cinco anos depois, em 1998, o saxofonista Wayne Shorter veio ao Rio de Janeiro tocar no extinto Free Jazz Festival. Em entrevista que me concedeu, mencionou que dias antes tocara na Casa Branca a convite do presidente, juntamente com Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Ron Carter e outros cobras. Por coincidência, nessa ocasião o escândalo do envolvimento de Clinton com a estagiária Monica Lewinsky estava fervilhando.
Aproveitei para perguntar-lhe sobre as propaladas qualidades de Clinton como saxofonista e Shorter teceu fartos elogios.
 
- O presidente toca muito bem e conhece muitas canções standards. Tocamos "Tenderly", "Invitation", "Lady Be Good", "I Got Rhythm", "Star Dust" e outras coisas do gênero. A certa altura ele sugeriu que tocássemos um blues. Disse-lhe que dias antes fizera um blues. Como era um tema inédito, toquei a linha melódica para ele ouvir e partimos para as improvisações. 
Subitamente, rindo muito sem motivo aparente, Shorter concluiu sua narrativa:
- Quando terminamos o presidente perguntou qual o título do blues e respondi que ainda não pensara num nome. Mantendo seu bom humor, ele foi taxativo: "Ponha qualquer título, menos "Blues for Monica".
       




- CHET BAKER MUDOU A VIDA DE JOÃO GILBERTO –

 
Através dos tempos, o jazz criou grandes mitos como Bix Beiderbecke, Charlie Parker, Lester Young e Billie Holiday. Outro foi o trompetista e cantor Chet Baker.
A vida atribulada de Chesney H. Chet Baker (1929-1988) daria um grande filme nas mãos de um bom diretor e um excelente roteirista. Ele começou no quarteto do saxofonista Gerry Mulligan, em 1952. Sua ascensão meteórica alçou-o do anonimato para a fama em menos de um ano. A pedra de toque que lhe abriu as portas da popularidade foi seu solo em "My Funny Valentine", com Mulligan, uma das interpretações mais lírico-introspectivas de todos os tempos. A finesse de sua abordagem melódica, emoldurando as nuances da canção com sua sonoridade intimista de profundo sentido emocional, causou impacto imediato, deixando a estampa da sua personalidade musical.
 
Cool, sweet, lírico, reflexivo, romântico – assim a crítica adjetivou seu estilo. Sua súbita popularidade levou-o a formar um quarteto. Tudo parecia sorrir para ele. Logo gravou o disco "Chet Baker Sings", marcando sua estréia como cantor. Sua voz quase sussurrante   tinha especial apelo para o público, especialmente o feminino. Seu disco chegou às paradas de sucesso e somente os insensíveis não se renderam á beleza dos seus solos e vocais.
 
Sua aparência juvenil, cujo rosto parecia esculpido à imagem de uma estátua grega, atraía das adolescentes às quarentonas, conquistando qualquer uma que cruzasse seu caminho.  
Entretanto, sua sina ia mudar. Com a mesma facilidade com que subiu ao estrelato, na proporção inversa afundou nas drogas – vício que o levou a prisões, sanatórios, fuga dos Estados Unidos para evitar detenções, dívidas com vendedores de drogas, enfim, um turbilhão que o acompanhou até o fim. Sua trágica morte ocorreu num hotel em Amsterdam, na Holanda, quando caiu ou foi atirado da janela do seu quarto.
 
A audição dos seus discos leva-nos a uma reflexão: como um homem cuja vida repleta de sofrimento, desilusões e desesperança extravasava sua alma atormentada com música de tanta beleza, contrastando frontalmente com sua vida desregrada ? Chet Baker escreveu poesia musical com sua voz e seu trompete.
 
O disco "Chet Baker Sings" mudou a vida de João Gilberto. Por volta de 1956, João imitava Orlando Silva cantando no conjunto Garotos da Lua. Diariamente ele ouvia o LP de Chet inúmeras vezes. Encantado por aquela voz, João sofreu uma metamorfose inacreditável, passando a cantar com o mesmo timbre intimista de Chet. Foi quando nasceu a voz mais conhecida da bossa nova ao gravar "Chega de Saudade", pedra fundamental do estilo que conquistou o mundo.
 
Durante o primeiro Free Jazz Festival, em 1985, perambulava pelas cercanias do Hotel Nacional em companhia de meu filho Flavio, esperando encontrar alguns músicos para um papo descontraído. Como sempre fazia, levava LPs de vários astros para pedir seus autógrafos. Após circular meia-hora, avistamos Chet Baker sozinho, ao pé da escadaria do hotel. Gentil e receptivo, esperava sua esposa que fôra fazer compras em Ipanema. Logo iniciamos um papo informal. Ficamos quase uma hora conversando como velhos conhecidos. Ele falou sobre sua carreira, seus planos, seu envolvimento com drogas (sem que lhe perguntasse) e uma infinidade de acontecimentos sobre sua vida que jamais saberia a não ser contados por ele, além de autografar meus dois LPs..
 
Quando sua esposa chegou, ele pediu licença para despedir-se. Após os votos de felicidades e sucesso, colocou a mão no ombro do Flavio e o que lhe disse emocionou-me a ponto de eu ficar com os olhos marejados:
- Flavio, nunca ponha um cigarro na sua boca!


 
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